Neste mundo globalizado, a concorrência no mercado de trabalho está cada vez mais acirrada. A presença marcante da mulher na disputa pelos cargos públicos pode ser explicada por alguns fatores: isonomia de salários, estabilidade, inexigibilidade de experiência, ausência de discriminação em virtude da aparência, possibilidade de trabalhar perto de casa, etc. Depois de terem conquistado a “independência”, as mulheres assumiram muitas responsabilidades, inclusive a de chefe de família. O resultado é que, hoje, elas respondem por essa função em grande parte dos lares brasileiros.
Ao observar algumas mulheres e ouvir suas histórias pessoais, percebo como elas são fortes, perseverantes, determinadas e corajosas. Verdadeiras sobreviventes, em uma sociedade em que desempenham vários papéis: o de mãe, o de filha, o de esposa, o de profissional, o de administradora do lar. Têm de ser muito competente para dar conta do recado. Não bastasse tudo isso, ainda há um padrão de beleza esquelético, talvez inspirado na grande criadora de parâmetros indiretos: a Barbie. A boneca sintetiza o estilo, a classe, a beleza e o corpo perfeito.
Certo dia, chegando ao Grancursos, fui abordado por uma jovem senhora. Ela criticava os professores, funcionários e afins. Aparentemente, a empresa não lhe agradava em nada. Tão logo concluiu as reclamações, a mulher se desculpou. Disse que estava em um dia ruim e que passava por problemas pessoais. De fato aquilo era apenas uma maneira de desabafar.
Essa história me fez refletir. Como é importante perseverar e amar, não é mesmo? Aos poucos, entre um olhar e outro, as palavras iam saindo da boca daquela mulher. Numa tentativa de consolo, ela confiou a mim os problemas de sua vida. Estava cansada. Estudava diariamente havia mais de seis meses. A mãe seguia internada em uma clínica para tratar de uma doença degenerativa, e a concurseira dedicava-se exaustivamente aos cuidados daquela que lhe dera a vida. Diariamente, por duas ou três horas, se desprendia dos estudos, cuidava de sua mestra e, em seguida, retornava à árdua caminhada rumo aos concursos públicos. Sem cessar, prolongava os estudos até às 23 horas.
O curioso é que a situação dela é idêntica à de muitas das milhares de alunas que temos. Naquele mesmo dia, atendi mais duas estudantes que também estavam emocionalmente frágeis. Todas, mulheres que enfrentam com determinação as adversidades para realizar os sonhos. Todas, heroínas que se dedicam aos estudos e se privam de estar no seio da família, com o intuito de proporcionar um futuro melhor para os filhos, para os pais ou para si mesmas.
Vivendo em uma sociedade em que o gênero masculino é indisfarçadamente mais valorizado que o feminino, as mulheres lutam por igualdade. E é exatamente isso que atrai tantas delas para o serviço público. Trata-se de um sistema onde se preza a isonomia; onde a idade, a experiência e o sexo ficam de lado. Na batalha do concurso público, vencem aqueles mais persistentes, disciplinados e preparados. Apenas esses alcançam o lugar mais alto do pódio. E elas? Estão lá! O número de servidoras públicas aumentou consideravelmente nos últimos anos. Segundo dados do IBGE1, a participação feminina no serviço público já é maior do que a masculina em todos os estados brasileiros e, em alguns, elas ocupam três vezes mais cargos que eles! Graças ao instituto do concurso público – democrático e isonômico –, muitas mulheres conquistaram uma carreira de sucesso e estão realizadas profissionalmente, trabalhando com estabilidade e dignidade.
Lembre-se: “A força de uma pessoa não provém da capacidade física, e sim de uma vontade indomável.” (Mahatma Gandhi)
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1 BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil – 1992-1997. Série Estudos e Pesquisas. Informação Demográfica e Socioeconômica. n. 7, p. 30. Disponível em:
mercado_trabalho/mapa_mercado_trabalho.pdf>. Acesso em: 5/1/2009.
Professor GRANJEIRO
Diretor Presidente do Grupo Grancursos