E com indisfarçável emoção que compareço a esta casa, expressão política da vontade do povo do Distrito Federal, para receber o honroso título de Cidadão Honorário de Brasília, aonde cheguei há 37 anos (em janeiro faz 38 anos) para reiniciar a vida, que mal havia começado em minha pequenina terra natal, de nome poético e que ainda me traz as primeiras recordações da infância: Encanto, no interior do Rio Grande do Norte.
De lá saí com apenas sete anos de idade, pela mão de minha mãe e na companhia de quatro irmãos (Uilma, Wnilson, Wgilson e José Wilton), sem saber o que o destino me reservava, mas confiante de que tudo seria melhor no novo lar, a capital da república, onde meu pai, pioneiro da construção da cidade, aguardava a família.
O ano era 1970, e essa viagem ao encontro do futuro foi uma experiência extraordinária, da qual eu tiraria as primeiras lições de vida para chegar até aqui, quase 40 anos depois, e receber este título do povo de Brasília.
A jornada durou nada menos do que sete intermináveis e sofridos dias pelas estradas difíceis do interior nordestino, dentro de um ônibus que abusava do direito de quebrar e de retardar nossa chegada. Não é exagero dizer que foi uma verdadeira odisséia para aquela família que deixara a pobreza do sertão com esperança de encontrar aqui nova perspectiva de vida.
Esperança, sim, era a palavra certa para definir nosso sentimento naqueles dias. Esperança que se renovava a cada parada, a cada minuto de atraso. Esperança e fé em nosso futuro e no futuro da capital do país, tão apropriadamente chamada por seu criador, o inesquecível Presidente Juscelino Kubitschek, de capital da esperança, e que nasceu, segundo registra a história, da cobrança de um humilde morador do interior de Goiás, conhecido apenas como Toniquinho.
Sei que muitos aqui já ouviram este relato, mas vale a pena relembrar o episódio, neste momento em que me sinto mais envolvido do que nunca pela forte magia brasiliense. Durante comício na cidade Goiana de Jataí, caiu um temporal e todos tiveram de se abrigar num galpão. JK subiu em um caminhão para discursar (aqui se faz presente a força do destino). mal começara a falar, foi interrompido por Toniquinho, que perguntou:
- se for eleito Presidente, o senhor mudará a capital para o Planalto Central como está previsto nas disposições transitórias da Constituição de 1891?
Pego de surpresa, JK respondeu que sim, iria fazer valer a Constituição. A partir daí, sentiu-se na obrigação de cumprir a promessa. O resto da história todos nós conhecemos, e graças a ela estamos reunidos aqui esta noite, na casa das leis do povo de Brasília, no Planalto Central, como queria Toniquinho.
Terra generosa, que premia o talento, o trabalho e a conduta ética, iria abrigar a família Granjeiro com a generosidade que também é característica dos brasilienses ao receberem aqueles que vêm de longe para aqui construir o novo lar.
Tão generosa é a terra, que fez a família Granjeiro crescer, com a chegada de mais dois de meus irmãos, nascidos depois de estarmos instalados e adaptados ao modo de viver brasiliense. Foram esses irmãos, Welder e Uilma (rapa de tacho), os primeiros de nosso clã a serem, com muito orgulho, legítimos brasilienses.
Senhoras e Senhores; meus amigos, colegas e colaboradores, quero, neste momento solene e de tanta emoção, proclamar meu amor por esta maravilhosa cidade. Desde 1970 participo diretamente de sua construção e consolidação.
Primeiro como pequenino e pobre migrante, vivendo em humilde moradia da vila esperança (não poderia morar em local de nome mais sugestivo). Esperança - como a própria capital e os sonhos que carregávamos de tão longe. Mais tarde, nos tempos da juventude, residindo em Ceilândia, estudando dia e noite e trabalhando com igual dedicação. Finalmente, já como empresário, dedicando minhas energias para ajudar milhares de concidadãos a também alcançar o sucesso, por meio do estudo, a única maneira que conheço para vencer na vida.
Foi em Ceilândia que comecei a vida profissional. Lá, trabalhei em escolas da Fundação Educacional, em meus primeiros anos como professor. Ainda no GDF, integrei os quadros do CDS – Centro de Desenvolvimento Social, do CEBEM – Centro de Bem-Estar do Menor e da Administração Regional.
Consegui estudar com muito sacrifício e força de vontade, sempre com o apoio da família, apesar de todas as carências que enfrentávamos. Não me envergonho de revelar que precisava tomar livros emprestados para estudar, pois não tinha condições de comprar o que os professores recomendavam para as aulas.
Ainda tenho presentes na mente as imagens daquele tempo, quando esta Brasília grandiosa ainda era uma urbi em contrução, e não a fantástica e complexa metrópole de hoje. Era uma cidade-criança, com apenas nove anos de idade em 1970, apenas dois a mais que eu. Por isso posso dizer, com muito orgulho, que crescemos juntos, a cidade e eu, tendo passado pela infância e pela adolescência e atingido a idade adulta, fase a que chegamos fortes, confiantes e prontos para enfrentar quaisquer desafios.
Naquele já distante ano de 1970, éramos apenas 538 mil habitantes, espalhados por oito regiões administrativas, que correspondem hoje às cidades satélites. Estávamos igualmente divididos entre homens e mulheres, carro, televisão e outros eletrodomésticos, banais nos dias de hoje, não estavam ao alcance de famílias pobres como a minha.
Era preciso suar muito a camisa para adquirir esses bens, a que agora quase toda a população tem acesso. Sem falar em telefone, ainda um luxo muito caro naquela época. E estou falando do telefone fixo, pois ninguém sequer imaginava o que viria a ser telefone celular ou internet.
Brasília, em 1970, era muito diferente da cidade que vemos hoje: o barro vermelho ainda predominava na paisagem da nova Capital, onde até mesmo o Plano Piloto ainda estava em construção. Não consigo nem sequer imaginar como era, naquela época, o lugar onde estamos agora e que abriga a Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Passados 37 anos, o crescimento urbano fez explodir os índices populacionais, e hoje a cidade conta com 2 milhões e 456 mil moradores, cinco vezes mais do que no ano de minha chegada. Somos atualmente uma coletividade em que a ascensão feminina é uma realidade: 60% da população é formada por mulheres, contra 40% de homens. Para administrar essa população, o número de regiões administrativas aumentou, de 8 existentes em 1970 para 29 em 2007.
Sei que o título de cidadão honorário que recebo esta noite é uma espécie de retribuição da cidade ao filho querido, que a ela dedica os melhores esforços pessoais e profissionais há quase quatro décadas. Estou emocionado e honrado por esse reconhecimento.
Agradeço ao deputado Leonardo Prudente a iniciativa de sugerir meu nome para receber esta homenagem, a qual teve o apoio de todos os parlamentares da casa. Obrigado, muito obrigado, deputado Leonardo Prudente!
Obrigado, senhoras e senhores deputados! Muito obrigado!
Como empresário, professor e autor, já recebi inúmeras honrarias e títulos, mas este é o mais importante e merecerá lugar de honra em meu currículo, por representar o ponto mais alto do exercício de minha cidadania.
Ser cidadão é respeitar as decisões da sociedade e delas participar para melhorar a própria vida e a de outras pessoas.
Honorário é aquele que tem honra; é aquele que desempenha cargo sem receber proventos.
Aceito, pois, esse título e o encargo que dele deriva.
Gostaria de agradecer a meu pai, Zuza, cuja memória é um norte em minha vida, pois me legou os atributos do respeito pelas pessoas, da humildade, da generosidade, da paixão pelo trabalho, do saber ouvir e da gratidão.
A minha mãe, Maria Raimunda, expresso toda a gratidão por ter feito de mim um cidadão melhor, com seus ensinamentos preciosos de paciência, liderança, honestidade, lealdade, fé em Deus e solidariedade. Obrigado, querida mãe! Muito obrigado!
A meus irmãos, que sempre estiveram comigo, nos bons e nos maus momentos, meu sincero agradecimento por todo o carinho que sempre me destinaram.
A minha querida esposa, Ivonete, obrigado, e um beijo! Eu te amo! Não consigo me imaginar sem você ao meu lado. Não consigo me ver com este título se não fosse sua contribuição ao meu, ao nosso sucesso.
A meus maravilhosos filhos, Gabriel e Matheus, dedico este título, como exemplo para que sigam o caminho do estudo e do trabalho com a mesma determinação deste pai que muito os ama.
Agradeço aos mestres e colaboradores da família Grancursos, a quem faço questão de dizer neste momento tão importante de minha vida: o Professor Granjeiro não existiria sem o empenho e a colaboração de todos vocês.
Minhas senhoras e meus senhores, ao me tornar cidadão honorário de Brasília, cidade que o destino escolheu para me fazer o homem, o professor, o empresário, o esposo e o pai que sou hoje, estou convencido de que minha missão é levar prosperidade e sucesso para todos aqueles que me cercam.
Em 18 anos de atividade, a empresa que dirijo se tornou referência em seu ramo de atividade e alcançou êxito e reconhecimento nacional e internacional, com a conquista dos mais importantes prêmios do mundo empresarial. Para nosso maior orgulho, tudo isso aconteceu em Brasília, onde criei raízes e constituí família.
Esta cidade, meus queridos amigos e queridas amigas, conforme pesquisa recente, oferece a melhor qualidade de vida entre mais de cinco mil municípios do país. Em minha humilde avaliação, Brasília ainda é a melhor cidade do mundo para se viver.
Minha esposa nasceu em Brasília; meus filhos nasceram em Brasília; eu estou em Brasília há 37 anos, e aqui espero ficar até meus últimos dias de vida. Aqui exerço minhas atividades e meu principal hobby: correr pelo parque da cidade e pelas ruas e pistas brasilienses, treinando para maratonas.
Aqui pretendo continuar a exercer meu talento de empreendedor, gerando empregos, ganhando prêmios de maior contribuinte e ajudando milhares de pessoas a ocupar cargos públicos e iniciar carreiras de sucesso.
Por oportuno, como cidadão honorário de Brasília, gostaria de pedir a Deus as mesmas e as únicas coisas que solicito em minhas orações e preces:
que tenha sabedoria para resolver todos os problemas com que me depare;
que não cometa injustiças;
que possa levar sucesso e felicidade a todos aqueles que convivem comigo e têm apreço por mim!
Muito obrigado!