Disciplina é tudo


 


Em uma série de artigos publicados nesta coluna, escrevi que o candidato que deseja ser aprovado em concurso público deve ter, entre outros atributos, a disciplina de um maratonista. Aquela do competidor que não desiste nunca e está sempre treinando para melhorar seu desempenho; que é focado em seus planos e sabe muito bem quais são suas metas; que está atento a seus limites físicos, admite suas fraquezas e explora seu potencial; que, acima de tudo, conhece e respeita seus adversários – no caso do concursando, a banca examinadora.
 
Na literatura, encontram-se inúmeros exemplos de atletas, paraolímpicos, artistas, jogadores, pais, concurseiros, estudantes, entre outros, cujas atitudes resultaram em feitos inacreditáveis. Mas mesmo eles, sem a famosa disciplina, não teriam alcançado seus objetivos.
 
Analisando a história de alunos e ex-alunos, cada vez me convenço mais de que as pessoas aprovadas em concursos públicos não têm qualidades extraordinárias, nem são geniais, tampouco contam com uma memória gigante. São, sim, indivíduos dos mais organizados e disciplinados, que sabem enfrentar obstáculos e frustrações para superar seus limites e alcançar seus objetivos. Essas pessoas assimilam derrotas seguidas de derrotas, até a vitória final.
 
Para ter sucesso na maratona de Nova York, tive de emagrecer 16 quilos e correr mais de 3 mil quilômetros em um ano – em uma semana cheguei a correr 150 quilômetros. Treinei intensamente durante 3 meses e investi em calçados, exames médicos, treinador, academia, suplementos, vestimenta adequada e inscrição para participar de provas similares. Fiz longas sessões de academia para fortalecer determinadas musculaturas. Além disso, durante a prova, enfrentei um frio de 6º C e suportei uma pubite. Passei por esses e muitos outros obstáculos, para finalmente concluir a prova e receber a medalha de participação à frente de mais de 35 mil outros competidores do mundo inteiro. Senti-me, então, abençoado e vitorioso.
 
Disciplina tem a mesma etimologia da palavra discípulo, que significa “aquele que segue”. Já autodisciplina é a capacidade de aderir a ações, pensamentos e comportamentos que resultem em crescimento pessoal. O concurseiro não chega a lugar nenhum sem disciplina, atitude e foco. Uma pessoa com talento, porém sem disciplina, terá muita dificuldade de atingir seus objetivos. A boa notícia – e o mais interessante – é que disciplina não é um dom; é algo que se aprende, que se pode treinar e desenvolver. Vejamos como:
 
1. Acabe com as desculpas e os bodes expiatórios para justificar seu insucesso ou sua apatia. O poder de decisão e de escolha é exclusivamente seu. Quando você deixa de fazer todo o possível para obter êxito em sua missão – ter sucesso e ser feliz em uma carreira pública, por exemplo –, está abrindo mão de seu único poder: o poder sobre si mesmo;

2. Comece devagar – o sucesso depende de pequenos passos. Muitos dos juízes de carreira um dia foram técnicos ou analistas. Grande parte dos delegados de polícia já foram policiais, escrivães ou papiloscopistas. Estabeleça metas modestas, mas sem deixar de pensar grande. Quando estiver bem confiante, comece a exigir mais de si. Um maratonista vitorioso começou seu treinamento andando, depois andando depressa, depois correndo e, por fim, “voando”;

3. NÃO se desvie da meta e NÃO faça exceções. Crie o hábito de estudo e nunca flexibilize os planos de estudo e de metas. Quando se começa a fazer exceções, logo elas se tornam novas regras, e os objetivos ficam cada vez mais distantes;
4. Faça da alegria de estudar um hábito, não uma cruz. Pelo fato de você ter-se tornado uma pessoa disciplinada e vencedora, não exija que todos ao redor vivam segundo sua cartilha e suas regras.

Tome a decisão de competir para valer. Mire-se no exemplo do maratonista, que, com determinação e força de vontade, mantém a disciplina necessária para obter sucesso em cada uma das provas que decide correr.

Prof. Granjeiro