A vida de empresário neste país não é nada fácil. O governo explora o trabalho do empreendedor, saqueando em tributos cinco meses das receitas geradas por seu negócio. Grande parte da concorrência milita na informalidade e pratica preços inexeqüíveis, que inviabilizam tecnicamente a sobrevivência das empresas éticas e sérias. Uma pequena – felizmente – parcela de clientes encaram – infelizmente – os homens de negócios como exploradores, especuladores e "assaltantes" de seus recursos financeiros. Essas pessoas não vêem os donos de escolas preparatórias sérias e de tradição como homens preocupados com a carreira e o futuro profissional dos alunos. Há, ainda, a “indústria” das ações de indenizações por danos morais, e a (in)Justiça, que teima em negativar o empresariado no Serasa, em ações inverossímeis que criam restrições de crédito e põem em risco a sobrevivência das empresas. E existe o famigerado instituto do Sisbacen, que faculta ao juiz bloquear todas as contas do empresário, a fim de quitar, por exemplo, uma dívida trabalhista. Em prol de um, milhares podem ficar sem receber. Dane-se o resto. Em uma roda de empresários é muito comum ouvir relatos e desabafos como esses.
A carga tributária no Brasil é tão elevada que os empresários são tratados como se integrassem uma caterva, e os que não pagam impostos são os verdadeiros protegidos. Nós, empreendedores – com talento, muito trabalho e privação do convívio familiar, do lazer e de noites de sono –, geramos empregos e pagamos dezenas de tributos. Enfim, contribuímos para o desenvolvimento de nossa cidade, de nosso estado e de nosso país. Enfrentamos crises e turbulências, e chegamos a trabalhar dezessete horas por dia. Mas muitas vezes, e apesar de tudo, não somos valorizados e reconhecidos, seja pelos governantes, seja pelos clientes.
O Brasil impõe a terceira maior carga tributária do mundo. Fica atrás apenas da França e da Itália. Segundo indicam alguns estudos, as empresas arcam com 59 tributos, entre impostos, taxas, contribuições e tarifas, e 93 obrigações acessórias que têm de ser cumpridas para efetivar o pagamento dos tributos. E ainda lidam com uma burocracia que consome substancial parcela de suas receitas.
Nós, empresários, nos sentimos poviléus diante de tão elevados impostos. Trabalhamos cinco meses por ano para o governo e ficamos horrorizados diante do confisco que, infelizmente, ainda ocorre e que a legislação vigente corrobora.
Nós contribuintes geramos inúmeros empregos diretos e indiretos e no nosso caso específico respondo pela melhor escola de preparação de candidatos a concursos públicos do País. Apesar disso, ainda somos obrigados a ouvir desaforos e críticas de pessoas que não sabem o quanto é difícil ser empreendedor no Brasil. Quantas vezes ouvi relatos de colegas que deixaram de retirar seus pró-labores para pagar funcionários e professores! Quantas vezes queimaram suas reservas financeiras para honrar compromissos com fornecedores! Quantas vezes aqui reinvestimos todo o lucro na empresa, a fim de gerar as condições ideais que permitissem a nossos clientes se tornar o mais competitivo entre os seus concorrentes!
As nossas empresas, que se distribuem em vários pontos do Distrito Federal, recebem concurseiros do Brasil inteiro. Aqui lidamos com os maiores anseios das pessoas, o que nos faz pensar vinte e quatro horas por dia em uma só missão: tornar realidade o sonho de muita gente, que é passar em concurso público. Não visamos apenas ao lucro pelo lucro. Além disso, patrocinamos projetos sociais. Um deles, inclusive, acaba de ganhar um prêmio como um dos melhores do Distrito Federal na área do esporte: A Corrida para o Futuro.
Para ajudar o Brasil a crescer, e na esperança de que dias melhores virão, continuaremos trabalhando, com férias ou sem férias, mas certamente com muito esforço e dedicação, para sempre quitar impostos e contribuições sociais. Continuaremos a relevar as críticas e a combater a imagem, que muitos têm, de que os empresários obtêm lucros vultosos e só querem ganhar mais e mais dinheiro. Só nos resta, pois, desabafar na condição de empresário.
À frente das empresas do grupo Grancursos e liderando mais de mil colaboradores, procuramos viver segundo esta filosofia:
Esqueçamos o obter-lucro e o ganhar-dinheiro. Concentremo-nos em servir às pessoas e em atendê-las da melhor forma possível. Não se ganha dinheiro; conquista-se dinheiro. Na arte do servir está a conquista do ganhar.