A cultura do concurso público é fato sedimentado. Em face das muitas vagas ofertadas nos últimos anos e tendo em vista as muitas programadas para 2010, ao mesmo tempo em que persiste a dúvida dos concurseiros de plantão sobre de que concurso participar, há o desespero para garantir uma vaga na máquina estatal. Aumenta, com isso, a ansiedade e o estresse entre os que buscam os benefícios de ter o governo como patrão.
Muitas pessoas deixam o emprego com a intenção de se dedicar aos concursos, especialmente em ano eleitoral, quando há muitas vagas a serem abertas. Na agonia de conquistar rapidamente a sua, muitos candidatos se perdem. Querem conquistar um cargo que pague bem e fazem disso o único critério para a escolha do concurso. O certo seria o candidato se perguntar: Em que órgão ou entidade quero trabalhar? Que cargo ou emprego tenho vontade de ocupar? Estamos falando de uma decisão muito importante, que determinará o resto da vida profissional do candidato.
Em matéria de concurso público, há, ainda, outros aspectos por considerar, além da vocação e das aptidões pessoais. É preciso foco. Todo concurseiro tem de saber que, para alcançar um objetivo, é necessário delineá-lo muito bem, é necessário traçar uma meta o mais objetiva possível. O concurseiro “barata-tonta” não passa em nada. Atira para todos os lados, gasta energia estudando diversas matérias, sabe de tudo um pouco, mas não sabe muito de nada. As bancas têm cobrado conhecimentos muito específicos, conhecimentos que certamente não são dominados pelo “barata-tonta”, que está sempre redirecionando os estudos, sem foco e sem profundidade. Estude minuciosamente o edital, disseque-o com toda antecedência possível. E seja preciso em sua escolha.
Há pouco tempo falava-se sobre a mágica a que se refere o best-seller O segredo. Ela se resume à maneira como programar o cérebro para que ele se organize a favor da pessoa. Escolher um objetivo e persegui-lo com afinco é o segredo para o sucesso nos concursos. Mentalize o que você quer e se visualize naquele órgão, entidade ou carreira, naquele cargo ou emprego, desempenhando aquelas atividades com ética, responsabilidade e poder. Isso vai ajudar o seu cérebro a materializar a realidade e inconscientemente motivar as suas atitudes relacionadas à conquista.
Não deixe que a “depressão pós-gabarito” seja nomeada e tome posse em seu lugar. Entenda que passar em um concurso público requer todo um processo de crescimento e desenvolvimento. Como uma criança que aprende a andar, o concurseiro cai, se levanta e, de tanto treinar, desenvolve passos mais firmes, até o dia em que vence a maratona da luta pela vaga na máquina estatal.
Lembre-se de que a vida de concurseiro não é feita de baladas. É rotineira mesmo, e deve ser contínua e gradual. Estudar há de ser uma constante. As interrupções não fazem bem ao cérebro. O tempo ocioso, sem estudo, causa esquecimento de detalhes importantes que têm de ser reaprendidos a cada retomada. O conhecimento é construído cumulativamente ao longo do tempo. Além disso, essa construção é mais lenta no início dos estudos, pois tudo é novo e basilar. As primeiras leituras constroem apenas os alicerces. Depois dessa base, a mente se condiciona aos estudos e começa a absorver o conteúdo em progressão geométrica. O aprendizado fica mais rápido e fluido.
Outra dica preciosa: dê atenção à saúde. Quantas pessoas estudam dez, doze horas por dia em bibliotecas, mas alimentam-se mal, não praticam esportes e em um ou dois meses estão exaustas, estressadas e doentes? Inúmeras. Os aprovados, em geral, são aqueles que conseguiram conciliar estudos e alimentação de qualidade, boas noites de sono e exercícios físicos. Corpo e mente precisam de nutrientes provindos de uma alimentação saudável, balanceada além dos hormônios liberados nas atividades físicas. A endorfina e a serotonina, responsáveis pela sensação de felicidade e bem-estar, são essenciais para quem está num ritmo forte de estudos.
Lembre-se: o investimento não é tão alto para uma vida inteira com regalias como estabilidade, aposentadoria integral e outras tantas que o serviço público oferece. Estude até passar. As batalhas mais difíceis são as que trazem as vitórias mais compensadoras.