Correr aumenta a inteligência

  

Todo mundo sabe que correr é uma das atividades mais importantes da minha vida, uma de minhas maiores paixões. Em uma boa corrida no Parque da Cidade ou pelas ruas de Brasília – de preferência cumprindo percurso de 15 ou 18 quilômetros –, sou brindado com as melhores ideias para desenvolver o meu trabalho. Não por coincidência, minha empresa cresceu tão depressa quanto meu desempenho nas pistas nos últimos anos. Agora acabo de confirmar um dado do qual já suspeitava, mas que carecia de comprovação científica: correr não só faz bem à saúde como também aumenta a inteligência.

Isso tem tudo a ver com a minha atividade e com os princípios que devem nortear quem se prepara para concurso público. A comprovação da tese veio em artigo assinado por Márcio Dederich e publicado na revista Contra-Relógio, especializada no assunto. Pesquisas citadas pelo articulista revelam que a corrida aumenta o tamanho do cérebro e, consequentemente, contribui para o desenvolvimento da inteligência. Eu já desconfiava disso, pois já percebera em mim mesmo mais esse efeito do esporte.

Segundo as pesquisas, o exercício pode ter pouco impacto na cognição quando realizado de forma aguda mas sem continuidade, ao contrário do que ocorre com a prática regular. Esta, sim, é capaz de produzir benefícios, ainda que o treinamento tenha sido iniciado tardiamente. Meu caso ilustra essa situação: comecei a correr regularmente somente na idade madura, mas os meus treinos têm sido cada vez mais intensos.

Várias hipóteses, segundo o artigo, tentam explicar os mecanismos pelos quais o exercício atua positivamente sobre as funções cognitivas. Uma delas considera que a atividade física aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, de oxigênio e outros substratos energéticos. Outra diz respeito aos efeitos do estresse oxidativo sobre o sistema nervoso central, com aumento da atividade de enzimas antioxidantes e, por consequência, ampliação da defesa contra danos provocados por espécies reativas de oxigênio.

Além das já citadas, outras hipóteses se referem às alterações neuroendócrinas e humorais promovidas pelo exercício, como o aumento de adrenalina, de noradrenalina, de vasopressina e, principalmente, de beta-endorfina, considerada modulador fisiológico da memória. Eu sinto esses mecanismos atuando em meu organismo depois de correr 10, 21 – a minha prova favorita e especialidade –, 42 quilômetros – distância da maratona olímpica. Meu desempenho vem melhorando dia após dia. Além disso, à medida que vou vencendo a distância, sinto-me melhor e – o ciclo recomeça – meu desempenho melhora mais um pouco.

Não é à toa que, além de praticar a corrida como um prazer pessoal, estimulo pessoas de todas as idades a praticar esse esporte e mantenho uma equipe de corrida que vem conquistando todos os títulos que disputa. E eu, na minha faixa etária (45 a 49 anos), tenho progredido a cada prova: nas três últimas que disputei, fui, sucessivamente, o sétimo, o sexto e o quinto colocado – correndo a média de 13 km/h. Na classificação geral, já estou me aproximando dos atletas de elite.

No início deste artigo, mencionei a relação que observo entre corrida e concurso público. Mesmo que o candidato a concurso não tenha disposição para se tornar um corredor, existem muitas semelhanças entre a sua preparação e a do atleta. A luta por uma vaga no serviço público exige tanto sacrifício e dedicação quanto exige a decisão de investir toda a energia numa corrida de longa distância. O corredor, seja ele um fundista (atleta especialista em 5 mil ou 10 mil metros) ou maratonista (prova que tem 42.195 metros), só pode obter sucesso com disciplina, perseverança, orientação adequada, vontade de vencer e método de trabalho, entre outros atributos.

O mesmo se aplica aos concurseiros que me leem. Na corrida pelo almejado cargo público, é preciso manter o foco no objetivo, sem deixar que as energias se dispersem, como faz o corredor na busca pela linha de chegada. Agindo assim, o concurseiro, tal como o atleta que se prepara corretamente, se sagrará, sem dúvida alguma, vencedor. Se resolver tornar-se também um corredor, aí, então, a vaga já será sua, mesmo.

GRAN CORRIDA E GRAN APROVAÇÕES!!!

 

J. W. GRANJEIRO
Diretor-Presidente do Gran Cursos
http://twitter.com/JWGranjeiro