Cinquenta anos de capital da esperança

  

“Brasília é a manifestação inequívoca de fé na capacidade realizadora dos brasileiros, triunfo de espírito pioneiro, prova de confiança na grandeza deste país, ruptura completa com a rotina e o compromisso.”

(Juscelino Kubitschek de Oliveira)



Cheguei a Brasília em 1970, vindo do interior do Rio Grande do Norte. Essa viagem ao encontro do futuro foi uma experiência extraordinária, da qual eu tiraria as primeiras lições de vida. A jornada durou nada menos do que sete intermináveis e sofridos dias pelas estradas difíceis do interior nordestino, dentro de um ônibus que abusava do direito de quebrar e de retardar a chegada. Não é exagero dizer que foi uma verdadeira odisseia para aquela família que deixara a pobreza do sertão com a esperança de encontrar aqui nova perspectiva de vida.

Esperança, sim, era a palavra certa para definir nosso sentimento naqueles dias. Esperança que se renovava a cada parada, a cada minuto de atraso. Esperança e fé em nosso futuro e no futuro da nova sede administrativa do país, tão apropriadamente chamada por seu criador, o inesquecível Presidente Juscelino Kubitschek, de Capital da Esperança, que nasceu, segundo registra a história, da cobrança de um humilde morador do interior de Goiás, conhecido apenas como Toniquinho.

Vale a pena relembrar esse episódio, neste momento em que me sinto mais envolvido do que nunca pela forte magia brasiliense.

Durante comício na cidade goiana de Jataí, caiu um temporal e todos tiveram de se abrigar em um galpão. JK subiu em um caminhão para discursar (aqui se faz presente a força do destino) e, mal começara a falar, foi interrompido por Toniquinho, que perguntou:

– Se for eleito Presidente, o Senhor mudará a capital para o Planalto Central como está previsto nas disposições transitórias da Constituição de 1891?

Pego de surpresa, JK respondeu que sim, faria valer a Constituição. A partir daquele momento, sentiu-se na obrigação de cumprir a promessa. O resto da história todos nós conhecemos, e graças a ela estamos aqui, no DF, em pleno Planalto Central, como queria Toniquinho.

Terra generosa, que premia o talento, o trabalho e a conduta ética, abrigaria a família Granjeiro com a generosidade que também é característica dos brasilienses ao receberem aqueles que vêm de longe para aqui construir o novo lar.

Eu tinha apenas sete anos quando chegamos ao DF, indo morar inicialmente na Vila Esperança, em um barraco onde quem estava dentro via quem estava fora e vice-versa – o cantinho da família Granjeiro, o melhor lugar do mundo. Um ano depois, erradicamo-nos para Ceilândia. Assim como essa cidade, nós também estávamos começando a vida e tínhamos sonhos de crescer, prosperar. Na seca, tínhamos que enfrentar o poeirão. Na época da chuva, eram as torrentes de água e lama que precisávamos vencer para chegar à escola e voltar dela.

Mas nada disso me desanimou. Posso dizer que tive uma infância feliz, e consegui superar todas as dificuldades para chegar à Universidade e me formar em Administração de Empresas. Passei em oito concursos públicos, trabalhei por 17 anos como servidor público federal e do GDF, abracei o magistério e, por fim, tornei-me empresário do setor de educação, voltado para a preparação de candidatos a concursos públicos.

Ainda guardo vivas na mente as imagens daquele tempo, quando esta Brasília grandiosa ainda era uma urbi em construção, e não a fantástica e complexa metrópole de hoje. Era uma cidade-criança, com apenas nove anos de idade em 1970, somente dois a mais que eu. Por isso digo, com muito orgulho, que crescemos juntos, a cidade e eu, tendo passado pela infância e pela adolescência e atingido a idade adulta, fase a que chegamos fortes, confiantes e prontos para enfrentar quaisquer desafios.

Naquele já distante ano de 1970, éramos apenas 538 mil habitantes, igualmente divididos entre homens e mulheres e espalhados por oito cidades-satélites, que correspondem hoje às unidades administrativas. Carro, televisão e outros eletrodomésticos não estavam ao alcance de famílias pobres como a minha. Era preciso suar muito a camisa para adquirir esses bens, a que agora quase toda a população tem acesso. Sem falar em telefone, ainda um luxo muito caro naquela época. E me refiro ao telefone fixo, pois ninguém sequer imaginava o que viria a ser telefone celular ou Internet. Brasília, em 1970, era muito diferente da cidade que vemos hoje: o barro vermelho predominava na paisagem da Nova Capital, onde até mesmo o Plano Piloto ainda estava em construção. Passados 40 anos, o crescimento urbano fez explodir os índices populacionais, e hoje a cidade conta com 2 milhões e 600 mil moradores, cinco vezes mais do que no ano de minha chegada. Somos atualmente uma comunidade em que a ascensão feminina é uma realidade: 60% da população é formada por mulheres, contra 40% de homens. Brasília oferece a melhor qualidade de vida entre os mais de cinco mil municípios do país. Em minha humilde avaliação, esta ainda é a melhor cidade do mundo para se viver. Minha esposa e meus filhos nasceram em Brasília; eu estou em Brasília há 40 anos e espero ficar até meus últimos dias de vida. Aqui exerço minhas atividades e meu principal hobby: correr pelo Parque da Cidade e pelas ruas e pistas brasilienses, treinando para maratonas. Aqui pretendo continuar a exercer meu talento de empreendedor, gerando empregos, ganhando prêmios como maior contribuinte e ajudando milhares de pessoas a ocupar cargos públicos e a iniciar carreiras de sucesso.           

Parabéns, e meu muito obrigado, amada Brasília! 

J. W. GRANJEIRO
Diretor-Presidente do Gran Cursos
http://twitter.com/JWGranjeiro