Majestosa Capital Federal


 
Em solenidade com deputados, amigos e familiares, Granjeiro recebeu o título de Cidadão Honorário de Brasília
 
Cheguei a Brasília em 1970, vindo do interior do Rio Grande do Norte. Essa viagem ao encontro do futuro foi uma experiência extraordinária, da qual eu tiraria as primeiras lições de vida. A jornada durou nada menos do que sete intermináveis e sofridos dias pelas estradas difíceis do interior nordestino, dentro de um ônibus que abusava do direito de quebrar e de retardar a chegada. Não é exagero dizer que foi uma verdadeira odisséia para aquela família que deixara a pobreza do sertão com a esperança de encontrar aqui nova perspectiva de vida.

Esperança, sim, era a palavra certa para definir nosso sentimento naqueles dias. Esperança que se renovava a cada parada, a cada minuto de atraso. Esperança e fé em nosso futuro e no futuro da nova sede administrativa do país, tão apropriadamente chamada por seu criador, o inesquecível Presidente Juscelino Kubitschek, de Capital da Esperança, que nasceu, segundo registra a história, da cobrança de um humilde morador do interior de Goiás, conhecido apenas como Toniquinho.

Sei que muitos já leram ou ouviram esse relato, mas vale a pena relembrar o episódio, neste momento em que me sinto mais envolvido do que nunca pela forte magia brasiliense, essa Majestosa Capital. Durante comício na cidade goiana de Jataí, caiu um temporal e todos tiveram de se abrigar em um galpão. JK subiu em um caminhão para discursar (aqui se faz presente a força do destino) e, mal começara a falar, foi interrompido por Toniquinho, que perguntou:

- Se for eleito Presidente, o Senhor mudará a capital para o Planalto Central como está previsto nas disposições transitórias da Constituição de 1891?

Pego de surpresa, JK respondeu que sim, faria valer a Constituição. A partir daquele momento, sentiu-se na obrigação de cumprir a promessa. O resto da história todos nós conhecemos, e graças a ela estamos aqui, no Distrito Federal, em pleno Planalto Central, como queria Toniquinho.

Terra generosa, que premia o talento, o trabalho e a conduta ética, abrigaria a família Granjeiro com a generosidade que também é característica dos brasilienses ao receberem aqueles que vêm de longe para aqui construir o novo lar.

Ainda guardo vivas na mente as imagens daquele tempo, quando esta Brasília grandiosa ainda era uma urbi em construção, e não a fantástica e complexa metrópole de hoje. Era uma cidade-criança, com apenas nove anos de idade em 1970, somente dois a mais que eu. Por isso posso dizer, com muito orgulho, que crescemos juntos, a cidade e eu, tendo passado pela infância e pela adolescência e atingido a idade adulta, fase a que chegamos fortes, confiantes e prontos para enfrentar quaisquer desafios.

Naquele já distante ano de 1970, éramos apenas 538 mil habitantes, igualmente divididos entre homens e mulheres e espalhados por oito cidades-satélites, que corresponde hoje às unidades administrativas. Carro, televisão e outros eletrodomésticos, banais nos dias de hoje, não estavam ao alcance de famílias pobres como a minha. Era preciso suar muito a camisa para adquirir esses bens, a que agora quase toda a população tem acesso. Sem falar em telefone, ainda um luxo muito caro naquela época. E me refiro ao telefone fixo, pois ninguém sequer imaginava o que viria a ser telefone celular ou internet.

Brasília, em 1970, era muito diferente da cidade que vemos hoje: o barro vermelho predominava na paisagem da Nova Capital, onde até mesmo o Plano Piloto ainda estava em construção. Passados 39 anos, o crescimento urbano fez explodir os índices populacionais, e hoje a cidade conta com 2 milhões e 456 mil moradores, cinco vezes mais do que no ano de minha chegada. Somos atualmente uma comunidade em que a ascensão feminina é uma realidade: 60% da população é formada por mulheres, contra 40% de homens. Para administrar essa coletividade, o número de regiões administrativas aumentou, de 8, existentes em 1970, para 29, em 2009.

Brasília oferece a melhor qualidade de vida entre os mais de cinco mil municípios do país. Em minha humilde avaliação, esta ainda é a melhor cidade do mundo para se viver. Uma capital majestosa em sua arquitetura deslumbrante, de tão singular formosura, em pleno coração tupiniquim. O centro político de onde emanam as decisões que controlam toda a nação. Uma jovem histórica prestes a completar singelos cinqüenta anos de existência. A cidade modelo dos olhos de JK é hoje um prodígio encantador.

Minha esposa nasceu em Brasília; meus filhos nasceram em Brasília; eu estou em Brasília há 39 anos e aqui espero ficar até meus últimos dias de vida. Aqui exerço minhas atividades e meu principal hobby: correr pelo Parque da Cidade e pelas ruas e pistas brasilienses, treinando para maratonas.

Aqui pretendo continuar a exercer meu talento de empreendedor, gerando empregos, ganhando prêmios como maior contribuinte e ajudando milhares de pessoas a ocupar cargos públicos e a iniciar carreiras de sucesso.

A essa Amada e Majestosa Capital Federal, os meus parabéns e muito obrigado!

 

Professor GRANJEIRO
Diretor Presidente do Grupo Grancursos