Que venham Dilma e Agnelo
Publicado em 05/11/2010

A eleição da candidata Dilma Rousseff para suceder o presidente Lula no Palácio do Planalto e do ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz para governar o Distrito Federal é o fato político mais importante para a Capital da República desde que a cidade ganhou autonomia administrativa, com a promulgação da Constituição de 1988. Pela primeira vez, o governo federal e o local terão titulares da mesma coligação, no caso, liderada por PT e PMDB.
 
Minha expectativa quanto aos próximos quatro anos é a melhor possível em relação ao progresso da cidade onde vivemos e trabalhamos. Estou certo de que medidas anunciadas durante a campanha eleitoral, tanto por Dilma como por Agnelo, não ficarão só na teoria, como promessas de candidatos destinadas apenas a atrair votos. A vitória consagradora que os dois políticos obtiveram faz de suas declarações de campanha compromissos reais com a população. São, portanto, promessas que não podem cair no esquecimento e devem ser cobradas todos os dias dos próximos quatro anos.
 
No que diz respeito aos concursos públicos, sinto-me especialmente otimista com o resultado das urnas. Tanto a presidente como o governador eleito fizeram parte do governo federal que deflagrou um processo jamais visto de promoção de concursos para preenchimento de vagas no serviço público. Ao longo dos dois mandatos do presidente Lula, foram realizadas centenas de seleções para os mais diversos níveis de carreiras, em empresas estatais e órgãos da administração direta. E, nesses oito anos, os aprovados sempre foram convocados para ocupar os cargos que haviam conquistado pela democrática via do concurso.
 
Mas as boas práticas do governo Lula na esfera do concurso público não param por aí. O governo comandado pelo presidente de maior popularidade da história também chegou a um entendimento com o Ministério Público da União para substituir os empregados terceirizados, contratados sem concurso público. O acordo vem sendo cumprido à risca, mediante a assinatura de termos de conduta nos diversos órgãos e entidades onde a terceirização ainda perdura. Nota-se, portanto, que há interesse real do grupo de Lula em fazer do concurso público de provas ou de provas e títulos a principal porta de entrada nos cargos do Poder Executivo. A prática, de forma salutar, tem sido adotada também pelo Poder Judiciário e até mesmo pelo Legislativo, embora de forma menos abrangente.
 
Assim, não há motivo para supor que Dilma Roussef e Agnelo Queiroz agirão de maneira diferente quando assumirem a chefia, respectivamente, do governo federal e do governo da Capital. Minha expectativa sobre a postura dos dois tem respaldo, como já mencionei, em declarações de campanha que ainda estão bem nítidas em nossa memória. Vale a pena recordar algumas delas já neste momento de transição para as novas gestões, quando começam as negociações para a formação do ministério e do secretariado da futura presidente e do futuro governador.
 
De Agnelo Queiroz, por exemplo, ouvimos a promessa de renovação da Polícia Militar, mediante a contratação de mil policiais por ano de governo. Isso significa, obviamente, a realização de concursos públicos, para preenchimento desses cargos, tal como determina a Constituição. Será uma oportunidade magnífica para quem almeja uma carreira de grande futuro nos aspectos financeiro e social. Aí se contam não apenas os excelentes vencimentos, mas também a estabilidade e as a vantagens adicionais oferecidas aos membros da corporação.
 
O governador eleito já declarou que vai, ele mesmo, pelo menos no início de sua gestão, administrar a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, área mais crítica entre todas que têm problemas com os quais a população do Distrito Federal convive já há tanto tempo. Para que seja possível fazer da saúde, na Capital, um serviço público digno, será necessário, além, é claro, de recuperar hospitais e equipamentos deteriorados, realizar concursos públicos para médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de diversas especialidades.
 
Da futura presidente Dilma, quero lembrar declarações explícitas em defesa não apenas dos concursos, mas de sua promoção como meio de fortalecer o serviço público, o próprio Estado brasileiro e, em última análise, a democracia no País. É pertinente citar textualmente uma de suas afirmações mais enfáticas a respeito do assunto: “É imprescindível que a gente tenha o processo de concursos públicos no Brasil, porque quem defende um estado meritocrático e profissional não pode aceitar que as carreiras não sejam fortalecidas. Só tem um jeito de você assegurar que haja eficiência no setor público. Primeiro, é oferecer uma remuneração adequada para que você não contrate as pessoas e elas saiam para outros setores que pagam melhor. Segundo, você tem que ter carreiras e incentivar e valorizar o funcionário.”
 
Ao declarar-se aliada do concurso público, a agora presidente eleita mencionou, ainda, sua experiência pessoal no governo, da qual extraiu um exemplo de prática a ser adotada em sua gestão: “Quando cheguei ao Ministério de Minas e Energia, em 2003, havia um engenheiro na ativa para vinte motoristas. Era essa a relação técnica, num Ministério que cuida de questões tão relevantes como petróleo, gás, energia e combustíveis renováveis. Fizemos concursos públicos, investimos no funcionalismo. É preciso continuar investindo para construir um Estado meritocrático, profissional e eficiente. Um bom exemplo dessas mudanças foi a criação da carreira de analista de infraestrutura. Os Ministérios agora estão tendo engenheiros, profissionais imprescindíveis para a implementação do PAC.”
 
Por tudo isso, acredito que os concursos públicos, que já haviam ganhado terreno na era Lula, terão ainda mais importância nos próximos quatro anos, com a visão progressista e moderna da futura presidente do País e do futuro governador do Distrito Federal. Para quem está se preparando para disputar um cargo público nos próximos meses, não poderia haver estímulo maior. E, para quem trabalha na área de preparação de candidatos, como nós, trata-se de seguir no caminho que vimos trilhando, apenas com ainda mais entusiasmo.
 
Que venham Dilma e Agnelo. Os concurseiros agradecem!

 

J. W. GRANJEIRO
Diretor-Presidente do Gran Cursos
http://twitter.com/JWGranjeiro