DISCIPLINA DE UM MARATONISTA XVI PREPARAÇÃO EXTREMA
Publicado: dia 15/7/2011
artigo desta semana foi inspirado na nova série do programa Fantástico, chamada Planeta Extremo. Mais precisamente, no primeiro episódio, em que acompanhamos a participação de 40 atletas, oriundos de 16 países, em uma maratona na Antártica. Os maratonistas enfrentaram temperaturas de até 30 graus negativos e ventos que chegavam a 200 quilômetros por hora, em um dos lugares mais inóspitos do planeta.
Protagonistas brasileiros do desafio, o repórter da Rede Globo Clayton Conservani e o ultramaratonista Bernardo Fonseca se prepararam durante quatro meses, ora em treinos na areia fofa, sob sol escaldante, ora dentro de um frigorífico. Sem contar as horas e horas passadas na academia. O objetivo dos exaustivos treinos era simular as condições que os atletas enfrentariam nos 42 quilômetros e 195 metros da maratona da Antártica.
Os competidores, todos portadores de pelo menos um bom motivo para participar da prova, estavam dispostos a testar os próprios limites e a pôr à prova a força da mente. Correriam horas e quilômetros sozinhos, acompanhados apenas de bons e maus pensamentos. A força para enfrentar tantos desafios viria dos filhos, da família ou de uma causa particular e especial.
O lema daquele que se sagrou vencedor na competição – um brasileiro – chamou-me a atenção: “O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre.” É isso que eu sempre digo aos meus alunos e leitores nos artigos que coligi no livro “A disciplina de uma maratonista: lições de vida, corrida e concurso”, da editora Gran Cursos. O concurseiro não deve desistir jamais. O desgaste físico e emocional da preparação logo passa, mas o cargo público permanece e, junto com ele, muitos benefícios. A sensação de ser aprovado em um concurso público é indescritível. Eu mesmo já a experimentei oito vezes, uma delas por ter sido aprovado em primeiro lugar em concurso nacional.
O vencedor da maratona promovida pelo Fantástico, o ultramaratonista Bernardo Fonseca, concluiu o percurso em 4 horas e 20 minutos – praticamente o mesmo tempo que levei para terminar a maratona de Nova Iorque: 4 horas e 18 minutos. Na maratona da Antártica, os competidores enfrentaram frio de 15 graus negativos e ventos de 50 quilômetros por hora. Na maratona de Nova Iorque, tive de conviver com cerca de 50 mil competidores, partilhando com eles temperaturas de 6 graus negativos e muito vento ao longo do percurso. Foi duro, mas nada comparável às condições adversas do continente antártico. A atleta que chegou por último na prova do programa da Globo, uma americana que corria em nome dos desabrigados do Katrina, precisou de 9 horas e 30 minutos, entre corrida e caminhada, para concluir a maratona.
Com os concurseiros também é assim: alguns demoram quatro meses para conquistar a vaga, outros levam quatro anos. Tudo é uma questão de preparação, disciplina e foco. Os que nunca desistem mais cedo ou mais tarde assomam à carreira pública e conquistam o governo como patrão. É fato: qualquer um é capaz de passar em concurso. Basta encontrar o ritmo certo de estudo e esperar na “fila” a vez de ser aprovado e classificado. Só não passam aqueles que morrem antes da aprovação ou aqueles que desistem. Em outras palavras, os desafortunados ou os de mente fraca.
Na aventura do Planeta Extremo, uma cena e uma frase, em particular, me marcaram. Já haviam sido percorridos mais ou menos 30 quilômetros da prova, quando o repórter, com muitas dores, cãibras e enjoos, entre outros sentimentos, pensou em desistir. Face a face com a própria fraqueza, ele logo se lembrou da frase do amigo Bernardo – “O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre” – e buscou na filha a inspiração para continuar, gritando: “Eu fico forte por causa de você, filha!” Aquilo me emocionou. Da mesma forma que o atleta, o concurseiro precisa encontrar algo que o motive a persistir. Pensar no contracheque, nos benefícios, na tranquilidade da família, na estabilidade, na segurança financeira, nas portas que o status de um cargo público pode abrir, lembrar disso tudo ajuda, e muito.
Eu assisti a toda a saga dos maratonistas da Antártica. E o fiz sentado e sem piscar, para não perder nenhum detalhe da aventura. Quando o brasileiro cruzou a linha de chegada, eu me levantei e, instintivamente, o aplaudi. O exemplo dele inspirou-me a, já no dia imediato, começar os treinos para as maratonas previstas mundo afora. Com a lembrança das imagens daquela corrida, consegui concluir o percurso de 21 quilômetros em 1 hora e 39 minutos. Foi o meu melhor tempo, o meu melhor treino. Tudo inspirado em um exemplo. A vida é mesmo assim: devemos sempre nos inspirar nos vencedores, copiando e aperfeiçoando as suas estratégias exitosas.
Nesse contexto, fica a mensagem para os amigos concurseiros, alunos e leitores: “Um conselho ajuda, um exemplo arrasta.”
Professor J.W.GRANJEIRO
Coordenador do Movimento pela Moralização dos Concursos (MMC)