PESQUISA ATESTA IMPORTÂNCIA DOS TESTES PARA OS ESTUDOS

Publicado: dia 18/02/2011

Acabo de ler, em uma das mais respeitadas publicações científicas do mundo, a revista Science, artigo sobre uma pesquisa que investigou a importância da realização de testes para o aprendizado dos alunos. As conclusões do estudo reforçaram minhas convicções a respeito da relevância dos testes na preparação de candidatos para concursos públicos, nossa área de atuação. Diante disso, faço questão de dedicar o texto desta semana ao trabalho publicado pela Science e de partilhar com vocês as conclusões a que chegaram os seus autores.
 
No decorrer do estudo, verificou-se que as pessoas que liam um texto e, em seguida, respondiam a um teste sobre o que haviam acabado de ler, retinham, ao cabo de uma semana, cerca de 50% mais informação do que quem utilizava outros dois métodos de fixação do conteúdo. Os cientistas constataram, então, o que eu já havia notado: os testes não constituem apenas mecanismos passivos que se prestam a avaliar o quanto as pessoas sabem. Eles realmente ajudam a aprender. Aliás, funcionam melhor do que muitas outras técnicas de estudo. Por essa razão, aqui, no Gran Cursos, os testes são aplicados em todas as etapas dos cursos, e com bastante frequência.

Particularmente, acredito que os testes têm, de fato, papel relevante no aprendizado. Mas também tenho convicção de que o melhor método é aquele que deixa o estudante mais à vontade para aprender. Ainda que esse método seja, na verdade, uma mistura de vários outros.
 
Nos experimentos da pesquisa publicada na Science, os alunos foram convidados a prever o quanto eles se lembrariam do conteúdo uma semana depois de aplicar um dos métodos para aprender a matéria. Aqueles que responderam a testes depois de ler o texto supunham que se lembrariam menos do que os estudantes que aplicaram outros métodos. Todavia, o resultado foi exatamente o inverso.
 
Para o autor do estudo, Jeffrey Karpicke, professor assistente de psicologia na Universidade de Purdue – e concordo inteiramente com ele –, a aprendizagem tem tudo a ver com a recuperação (acesso) daquilo que aprendemos e com a reconstrução do nosso conhecimento.

A pesquisa avaliou duzentos estudantes universitários, divididos entre os dois experimentos que o trabalho envolveu. Todos os alunos foram instruídos a ler alguns parágrafos sobre um assunto de caráter científico – como funciona o sistema digestivo, por exemplo, ou os diferentes tipos de tecido muscular dos vertebrados.
 
No primeiro experimento, os estudantes foram subdivididos em quatro grupos. Os integrantes de um deles apenas leram o texto por cinco minutos. Os membros de outro grupo estudaram o texto em quatro sessões consecutivas de cinco minutos. Os integrantes do terceiro grupo elaboraram "mapas conceituais", nos quais, com o texto à frente, organizaram a informação nele contida em uma espécie de diagrama, anotando detalhes e ideias em balões feitos a mão e ligados de forma organizada. O último grupo fez um teste de "recuperação de conhecimento". Sem o texto à frente, os alunos escreveram o que lembravam, em um ensaio livre, por dez minutos. Depois releram a passagem e fizeram mais um teste de prática de recuperação de informação. Uma semana mais tarde, todos os quatro grupos fizeram um teste que exigia respostas curtas. O objetivo era avaliar a habilidade de recordar fatos e de tirar conclusões lógicas baseadas neles.

 No segundo experimento, focado apenas em mapas conceituais e testes de prática de recuperação de informação, os estudantes fizeram um exercício, cada um aplicando um método diferente. A princípio, os alunos que optaram pelos diagramas, quando voltaram a consultar o texto, resgataram mais detalhes do que os estudantes convidados a recordar na forma de ensaio o que haviam acabado de ler.
 
Contudo, uma semana mais tarde, os participantes dos dois experimentos passaram por nova avaliação. E foi então que veio a surpresa que ratificou o que minha intuição já dizia. Nessa segunda avaliação, os alunos do grupo que respondeu aos testes tiveram desempenho muito melhor do que os integrantes do grupo de mapeadores. O resultado deles foi ainda melhor quando a avaliação consistiu não em um teste de respostas curtas, mas em um que exigiu o desenho de um mapa conceitual, com base apenas na memória.

Obviamente, o estudo não pode ser considerado definitivo. Ele é apenas uma indicação sobre um método de estudo cuja eficiência está há muito tempo comprovada. Por que e como os testes de recuperação de informação funcionam, ainda não se sabe com certeza. Talvez, no processo de resgatar as informações que estão em processo de organização na mente, criemos pistas e conexões que o cérebro, depois, reconhece.

Muitos cientistas opinaram sobre o tema da pesquisa. As opiniões variaram tanto que não me darei ao trabalho de reproduzi-las no curto espaço deste artigo. Na verdade, deixo a você, caro concurseiro, a palavra final: qual é o melhor método de estudo para passar em concurso público? Espero, de verdade, que você esteja certo e lhe desejo, assim como a todos os seus colegas, célere aprovação e...
 
FELIZ CARGO NOVO EM 2011!

 

 

J. W. GRANJEIRO
Diretor-Presidente do Gran Cursos
http://twitter.com/JWGranjeiro