O primeiro mês do ano chega ao fim dentro de quatro dias. O carnaval é logo na primeira semana de fevereiro, e só então poderemos dizer que 2008 está engrenando de vez, depois daquele período de certa lassidão que se segue às festas de fim de ano e às férias escolares, quando, ao contrário do conhecido ditado popular, deixamos para amanhã tudo o que podemos fazer hoje. Exemplo disso é o estudo para o concurso público dos sonhos, com inscrições a serem abertas a qualquer momento, mas que, como ainda não teve o edital publicado, acaba ficando para depois.
É claro que estou falando em tese, pois essa postura já não predomina em grande parcela dos candidatos, que já começou a estudar para vários concursos programados para este ano. Há, ainda, aqueles que já vêm nessa balada desde o ano passado e estão prontos para enfrentar o primeiro desafio no dia 17 de fevereiro, data do concurso do TST.
CGU, INSS, Polícia Civil, TJDFT e Técnico Penitenciário do DF são os concursos que iniciaram o ano com inscrições abertas, oferecendo opções profissionais variadas, tanto para os candidatos de nível médio como para os de nível superior. Mas ainda há a expectativa de reabertura das inscrições para a Polícia Rodoviária Federal, cujo concurso foi suspenso devido à suspeita de quebra de sigilo das provas, que seriam realizadas no ano passado.
Com autorização já concedida e edital prestes a sair, podemos listar os concursos de Assistente de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores, de Gestor Governamental (elite do Executivo Federal), do Conselho Nacional de Justiça, da Polícia Federal, do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal de Contas da União, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (analista e especialista em infra-estrutura), DFTrans, Secretaria de Educação do Distrito Federal e da Polícia Militar do DF. A propósito, a PM pretende exigir nível superior para os novos soldados, o que aumenta o grau de dificuldade para os candidatos, mas, ao mesmo tempo, facilita o ingresso de muita gente, com o aumento do limite de idade, de 28 para 35 anos, e a redução da estatura para a mulher, de 1,62m para 1,60m.
Em artigo anterior, procurei tranqüilizar os candidatos quanto à realização dos concursos do governo federal, apesar dos problemas com a extinção da CPMF. Logo os fatos vieram me dar razão, com a abertura das inscrições para o concurso da CGU (Controladoria-Geral da União), que vai oferecer 400 vagas de técnico e analista, com remunerações entre R$ 3.489 e R$ 7.568.
Também o concurso do INSS foi confirmado e abriu inscrições, que vão até 12 de fevereiro, para preencher 2.021 vagas, 1.400 das quais para técnico de nível médio e o restante para analista de nível superior: salários de R$ 1.949 e R$ 2.243, respectivamente. Como afirmei no artigo da semana passada, o fim da CPMF pouco alterou o panorama dos concursos do governo federal, e as vagas continuarão sendo abertas paulatinamente, na medida das necessidades de cada órgão.
Portanto, mais do que nunca, o candidato deve ter discernimento para avaliar a carreira que mais lhe convém e investir no concurso para o cargo com que tem realmente afinidade. Se fizer isso, já terá 50% de chances de conseguir a aprovação. Não adianta escolher um concurso apenas por causa do alto salário, se a área de formação do candidato, seu interesse profissional e sua vocação são outros. Se as ciências humanas são o seu forte, ficará mais difícil ter sucesso num concurso em que predominem ciências exatas, e vice-versa. Se quer trabalhar nos tribunais, por que se inscrever para a Polícia Civil?
O importante é que, feita a escolha vocacional, o candidato organize também a vida pessoal e familiar, para dedicar o máximo de tempo possível aos estudos. Além disso, é preciso escolher criteriosamente a escola em que fará a preparação e a melhor forma de abordagem do programa contido no edital: grade fechada, para estudar todas as matérias concentradas num único curso; ou curso por matéria, a fim de suprir aquelas em que tem mais deficiência ou, no caso de já ter boa base, para aprimorá-la, com o objetivo de gabaritar a prova.
Creio que, seguindo esses princípios, as chances de aprovação serão as melhores. E, como as opções são muitas, conforme vimos no início deste artigo, fica aqui um último conselho: é hora de estudar. Em 20 anos acompanhando candidatos na preparação para o ingresso no serviço público, constatei que a maior característica dos aprovados e classificados é que resistiram e venceram a tentação de um dia desistir do sonho de ter o governo como patrão.