A lição dos atletas olímpicos para os concurseiros

Acompanhei as principais provas das olimpíadas de Pequim e, em especial, as entrevistas dos vencedores e daqueles que, embora tivessem dado o melhor, não subiram ao pódio. Os vencedores em geral disseram que antes mesmo da prova se sentiam merecedores da medalha porque haviam treinado muito durante anos para conquistá-la. Em outras palavras, todos prepararam corpo e mente para o dia D. Sacrificaram lazer e o convívio com a família; investiram em equipamentos, treinadores, psicólogos e alimentação; participaram de inúmeras provas com vistas à preparação para o mais importante evento do esporte mundial.

Já aqueles que “amarelaram” alegaram falta de sorte. Alguns admitiram a incompetência, outros atribuíram o fracasso à desorganização ou à falta de apoio. Eram muitas as razões e muitos os motivos para tentar justificar a falta de planejamento, de empenho, de organização, de preparo psicológico, de concentração, de foco e de estratégia e a insegurança, o medo e a fraqueza para enfrentar as adversidades. Enfim, muitos argumentos para justificar a indisciplina e a incompetência.

Mesmo os mais brilhantes dos atletas – aqueles que praticamente nasceram correndo ou nadando –, que têm talento e físico próprio para a modalidade ou prova que disputaram, repetiram inúmeras vezes terem treinado sete dias por semana, sete horas por dia, durante anos. Todos ressaltam que a conquista de tantas medalhas não resultou de sorte ou simples talento nem se deveu apenas à condição física, mas foi fruto de muita ralação, dedicação aos treinos e obediência técnica. De fato, uma vitória ou a conquista de uma vaga não são conseqüências de uma preparação de quatro meses ou de véspera; demandam, sim, tempo para boa assimilação do condicionamento... ou do conteúdo.

Um dos atletas fracassados nas olimpíadas disse não saber o que aconteceu. Segundo justificou, deixara de participar de inúmeras provas para chegar bem às olimpíadas. Já os campeões, ao contrário, relataram ter competido em diversas outras provas para treinar e obter a segurança necessária para conquistar o ouro. Uma atleta não achou a vara de que precisava para saltar e, por conseqüência, perdeu a concentração e a tão sonhada medalha. Ela não estava preparada psicologicamente para eventuais adversidades e contratempos. De outro lado, uma equipe de esporte coletivo ganhou o ouro, embora antes tenha sofrido uma grande derrota. A diferença é que, durante quatro anos, as atletas se prepararam técnica, física e psicologicamente para se tornarem campeãs.

Portanto, amigo concurseiro, é balela a campanha publicitária que promete aprovação rápida graças à estrutura física bonitinha e aos recursos tecnológicos de última geração do preparatório. Não existe milagre ou mágica para assegurar a aprovação com classificação. Em matéria de concurso público, é necessária muita transpiração e pouca inspiração. A “sorte” da aprovação está na escolha do método adequado de estudo, no foco assegurado pelo curso de pacote, na elaboração minuciosa e no cumprimento disciplinado do plano de estudo, no estudo concentrado do material certo, na escolha adequada das plêiades de reforço e dos cursos de exercícios, no preparo físico e psicológico para vencer eventuais turbulências e obstáculos.

Quando se pergunta a uma pessoa aprovada em primeiro lugar em concurso público ou vestibular como ela conseguiu a “façanha”, a resposta é, com pouca variação, quase sempre a mesma: muito estudo, de forma focada, no lugar certo e com método e metas bem definidos. Em regra, os classificados aplicam técnicas de estudo, recorrem a cronômetros para disciplinar a mente e desenvolvem o hábito do estudo com rotina de operário.

Então, desfaça-se o mito: a diferença entre os aprovados e os reprovados em concurso é a atitude e o esforço pessoal – com foco e admirável disciplina. Lembre-se de que estudar dói. No início, você não quer e não consegue estudar – é melhor se divertir. O corpo reclama, a mente rejeita as informações. Com o tempo e com disciplina, você se acostuma e acaba gostando de estudar. Estudar e aprender tornam-se um grande prazer, e os resultados logo aparecem.

 

Professor Granjeiro
Diretor-Presidente do Grancursos